Hortas comunitárias: A força da agricultura familiar na produção de alimentos
- Ecoa Rural

- 21 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 1 de ago. de 2025
Como as hortas comunitárias contribuem para a segurança alimentar, a sustentabilidade e a valorização da agricultura familiar no Brasil.

Responsável por parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, a agricultura familiar é um dos pilares da produção agroalimentar do país. Além de alimentar a população, ela gera emprego, fortalece economias locais e contribui para a segurança alimentar.
A agricultura familiar é uma forma de organização da produção no campo baseada na força de trabalho da própria família. Nesse modelo, os membros da família são os principais responsáveis pelo cultivo, manejo e comercialização dos produtos, e a propriedade tem dimensões reduzidas em relação ao agronegócio convencional.
No Brasil, a importância desse setor é reconhecida pela Lei nº 11.326/2006, que estabelece critérios para definir agricultores e agricultoras familiares. De acordo com o Censo Agropecuário 2017 do IBGE, o país conta com mais de 3,9 milhões de estabelecimentos de agricultura familiar, representando 77% do total das propriedades rurais brasileiras.
A variedade de produtos da agricultura familiar é ampla. Feijão, arroz, mandioca, milho, leite, frutas, legumes, hortaliças, café e até carnes são cultivados e produzidos majoritariamente por famílias agricultoras. Muitos dos alimentos consumidos no dia a dia pelos brasileiros vêm diretamente desses produtores, como a farinha de mandioca, o feijão e a banana.
Além da diversidade, a produção familiar tende a ser mais sustentável, com menor uso de agrotóxicos e maior preservação da biodiversidade. Em muitas regiões, o conhecimento tradicional é passado de geração em geração, aliado ainda a técnicas de agroecologia e cultivo orgânico.
Essa prática desempenha um papel central não só na economia rural, mas também na segurança alimentar e nutricional do Brasil. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ela é responsável por cerca de 10% do PIB nacional e gerou mais de 10 milhões de empregos no campo.
Além disso, é por meio dessa agricultura que se preservam saberes populares e modos de vida tradicionais, fundamentais para a diversidade sociocultural do país. A relação mais próxima com o território e com os consumidores também favorece circuitos curtos de comercialização, como feiras livres, cooperativas e mercados locais.
Hortas comunitárias
Dentro do universo da agricultura familiar, surgem as hortas comunitárias, com uma iniciativa que une produção de alimentos, organização popular e sustentabilidade. Em espaços urbanos ou rurais, grupos de moradores se juntam para cultivar alimentos frescos de forma coletiva, geralmente em terrenos baldios, quintais comunitários ou áreas cedidas pelo poder público.
Essas hortas garantem o acesso a alimentos saudáveis e de baixo custo, e promovem educação ambiental, geração de renda e integração social. Muitas são organizadas por associações, igrejas, escolas e movimentos sociais.
Cidades como São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Salvador têm políticas públicas de incentivo a hortas comunitárias. Em regiões do Semiárido, elas também atuam como ferramentas de convivência com a seca, aproveitando tecnologias sociais como cisternas e sistemas agroecológicos.
Produção Agrosustentável

Responsabilidade com agricultura sustentável e compromisso em oferecer uma alimentação de qualidade, são os valores que guiam a horta comunitária Terra da Liberdade, situada na zona rural de Petrolina, no sertão pernambucano.
Para chegar até a comunidade, basta seguir pela BR-407, saindo da zona urbana da cidade. Depois de percorrer 15 km, chega-se ao assentamento Terra da Liberdade no projeto de irrigação N-1. É lá que vivem várias famílias de agricultores e produtores de alimentos orgânicos.
A iniciativa surgiu em 2018, com o apoio do Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Campus Petrolina (IF Sertão) e da Prefeitura Municipal da cidade. Ao todo, 19 famílias participaram ativamente do processo de desenvolvimento da horta.
Ao chegar na horta, fomos recepcionados por dona Maria Lopes e Marinalva Pereira, agricultoras que trabalham na horta desde a sua fundação. Elas nos explicaram sobre o funcionamento do espaço e as regras de convivência para cultivo orgânico, o que proíbe o manejo de produtos químicos. “Nós nunca produzimos usando veneno, utilizamos calda, esterco e agora a gente faz composto, porque esterco tá muito caro”, disse Marinalva.
O composto utilizado é uma alternativa custo benefício que segundo as agricultoras mantém a temperatura do solo estável. Marinalva Pereira é agricultora familiar e uma das principais atuações da horta, ela explica como é feito o composto“ A gente coloca em um lugar aberto que possa ficar ali por um tempo, a gente coloca esterco, mato, aí coloca mais esterco em cima e mais mato. Aí ele vai se decompondo e vira como se fosse uma terra. E ele não esquenta”.
Cada pessoa, associada a horta, possuía a mesma quantidade de canteiros para cultivo. No entanto, com o tempo, houve a evasão de alguns agricultores, restando apenas 14 associados, “quando começou eram 12 canteiros para cada pessoa, aí eles foram desistindo”, explica Marinalva.

A área é dividida em duas partes: de um lado trabalham oito e do outro seis pessoas. Assim, os lucros arrecadados pela produção é individual, mas as “parceiras” como se chamam carinhosamente, plantam juntas e dividem o lucro.
A agricultora Marinalva Rodrigues, conta que ela e Maria, são as mais ativas na horta e explica um pouco sobre sua rotina de produção, “segunda, quarta e sexta nós chegamos às 5 horas da manhã. Para retirar a mercadoria e entregar ao rapaz. Aí a gente tira o que tiver, coentro, alface, hortelã, o que tiver em ponto de venda, nós passamos para ele, aí ele leva. Aí quando é sexta de tarde, nós tiramos uma menina que leva no sábado para a Cohab”.

Além de vender por encomenda, elas participam de feiras e vendem para a comunidade, permitindo que todos tenham acesso a alimentos de qualidade.
A ida até o local foi por meio de Raquel Mariana, discente do curso de Engenharia Agronômica, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). A mesma desenvolve um projeto no local, que visa qualificar a composição física e fisiológica das sementes, com o objetivo de proporcionar aos agricultores melhor desempenho na produção. Para saber mais sobre o projeto acesse o vídeo abaixo:
Por Alexandre Santos e Lucenildo Junior





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