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Pragas ou doenças? Entenda o que afeta sua plantação e como combater

  • Foto do escritor: Ecoa Rural
    Ecoa Rural
  • 4 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

Conheça as diferenças entre os principais inimigos da lavoura e aprenda estratégias simples e eficazes para proteger sua produção familiar no Vale do São Francisco.


Plantação danificada- Reprodução
Plantação danificada- Reprodução

No Vale do São Francisco, a agricultura familiar se firma como base fundamental para a segurança alimentar das famílias e o fortalecimento da economia regional. Esse modelo produtivo é potencializado pelo uso eficiente da irrigação, que permite o cultivo de frutas como manga, uva, coco, melão e maracujá, produtos que abastecem tanto o mercado interno quanto o externo.


Mas para manter essa produtividade em alta e garantir a qualidade dos alimentos, é preciso mais do que solo fértil e água. A atenção dos agricultores às pragas e doenças que afetam as lavouras é essencial para o sucesso da produção.


Pragas: os insetos que atacam as plantações


Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)/ Reprodução
Lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda)/ Reprodução

As pragas agrícolas são, em sua maioria, insetos, ácaros ou nematoides que se alimentam das plantas, provocando danos diretos e indiretos à produtividade. Esses organismos podem atacar folhas, caules, raízes ou frutos, reduzindo o vigor da planta e a qualidade dos alimentos produzidos. Entre os exemplos mais comuns na região estão os pulgões, como Aphis gossypii e Myzus persicae, pequenos insetos sugadores que retiram a seiva das plantas e ainda transmitem viroses. 


Também está presente a mosca-branca (Bemisia tabaci), que além de sugar a seiva, é vetor de importantes doenças virais, como o mosaico dourado nas hortaliças. Outro exemplo preocupante é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), que ataca especialmente culturas como o milho, destruindo folhas e brotações em pouco tempo.


Os sinais de infestação por pragas incluem folhas furadas, murchas, enroladas ou com aspecto mastigado, além da presença de fezes, teias ou ovos nas plantas. Para combatê-las, os agricultores podem utilizar métodos diversos. O controle biológico é uma estratégia eficaz e sustentável, que consiste no uso de inimigos naturais das pragas, como joaninhas da espécie Coleomegilla maculata, que devoram pulgões, ou as microvespas do gênero Trichogramma, que parasitam ovos de lagartas. 


Também são úteis as armadilhas adesivas coloridas, principalmente para insetos voadores como a mosca-branca. Inseticidas naturais, como os produzidos a partir do extrato da árvore Nim ou de pimenta, têm sido alternativas de baixo impacto ambiental. Já a rotação de culturas, ao alternar espécies plantadas em um mesmo local, quebra o ciclo das pragas e diminui sua incidência.


Doenças: causadas por fungos, bactérias e vírus


Cacho de uvas com Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) - Reprodução
Cacho de uvas com Antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) - Reprodução

Por outro lado, as doenças nas plantas são causadas por microrganismos patogênicos, como fungos, bactérias e vírus, e sua ação costuma ser menos visível no início, mas igualmente ou até mais devastadora. As doenças afetam o metabolismo da planta, impedem a absorção de nutrientes, reduzem seu crescimento e provocam prejuízos severos à produção. 


Entre os fungos, um dos mais recorrentes na fruticultura irrigada é o Colletotrichum gloeosporioides, responsável pela antracnose, que provoca manchas escuras nas folhas e apodrecimento nos frutos, especialmente em manga e uva. Entre as bactérias, destaca-se a Xanthomonas axonopodis, que causa o cancro bacteriano, com lesões aquosas, necroses e rachaduras nos ramos. Já os vírus, como o Papaya ringspot vírus, provocam deformações e manchas em folhas e frutos do mamoeiro, comprometendo o seu valor de mercado.


Os sintomas das doenças podem variar entre manchas amareladas, acastanhadas ou necrosadas nas folhas, raízes enfraquecidas ou apodrecidas, e frutos deformados ou com podridões. Para o controle dessas doenças, as práticas devem ser integradas e iniciadas de forma preventiva. Fungicidas e bactericidas naturais, como a tradicional calda bordalesa, que é feita com sulfato de cobre e cal virgem, têm eficácia comprovada em diversas culturas. 


O uso de extratos vegetais, como os de alho e cebola, também tem demonstrado bons resultados. Outra prática eficiente é a solarização do solo, que consiste em cobri-lo com lona plástica transparente por algumas semanas, utilizando o calor do sol para eliminar patógenos e sementes de plantas daninhas. Além disso, a escolha de sementes certificadas e sadias evita a aparição de doenças no plantio. O cultivo consorciado e a diversidade de espécies plantadas dificultam a propagação de doenças específicas, aumentando a resiliência do sistema produtivo.


Ecoa Explica


Entender as diferenças entre pragas e doenças é uma forma de empoderar o agricultor e garantir maior controle sobre sua produção. Com informação acessível e orientações práticas, é possível tomar decisões mais seguras no manejo da lavoura, reduzindo perdas e promovendo a sustentabilidade. 


A proposta do Ecoa Rural, com conteúdos educativos como esse, é justamente valorizar e fortalecer a agricultura familiar da nossa região, contribuindo para a autonomia no campo e a preservação do meio ambiente.


No novo episódio do quadro Ecoa Explica, trazemos de forma simples e prática as principais diferenças entre pragas e doenças nas plantações. Afinal, saber identificá-las e combatê-las é o primeiro passo para proteger o cultivo.



Fique de olho nos próximos episódios e continue acompanhando nossas dicas para um cultivo cada vez mais saudável, produtivo e sustentável!


Por Lucenildo Junior e Kárem Rodrigues


 
 
 

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